Davilym Dourado / Valor

Paulo César, da Philadelphia Consulting,
diz que o mercado está superaquecido.
"Tenho 170 alunos só no curso para o GMAT"
O mercado de MBA vive um novo "boom" este ano. A disputa por uma vaga nos melhores cursos internacionais é grande e chega aos níveis dos anos dourados, 1999 e 2000. Todo essa corrida por um lugar nas grandes escolas de negócios está fazendo a alegria dos consultores que atuam na preparação dos candidatos para as provas e entrevistas de admissão. A maioria está com o dobro de clientes e alguns estão tendo até que recusar alunos por não conseguirem atender à demanda.
Os altos salários oferecidos por bancos de investimento e consultorias, que desde o ano passado voltaram a recrutar pesadamente nos campi das melhores escolas, explica essa pressa para participar da primeira rodada de inscrições agora em outubro. A segunda, começa em janeiro. Para os executivos brasileiros, o momento está excepcionalmente favorável, já que a remuneração no mercado financeiro local está superando a oferecida em praças mais tradicionais. "Um analista financeiro está ganhando US$ 150 mil na Faria Lima e US$ 120 mil em Wall Street", diz Paulo César, da Philadelphia Consulting.
Este ano, Paulo César está treinando 170 alunos para o GMAT (exame rigoroso que testa conhecimentos de administração e inglês, exigido pela maioria das escolas internacionais de primeira linha). Ele acredita que esse número ainda pode chegar a 250 até o fim do ano. César também trabalha com consultoria para preparar os candidatos para o longo processo de admissão nas melhores escolas. "Orientamos desde a escolha do curso até a preparação do currículo, da redação, as cartas de recomendação e entrevista", explica. Ele já ajudou 680 alunos a ingressarem nas chamadas "top ten" americanas. "Hoje o mercado está superaquecido", diz.
Os bons ventos para os MBAs podem ser sentidos no maior termômetro desse mercado que é o número de alunos que estão prestando o GMAT no mundo. Ano passado, foram 204 mil pessoas. Este ano, uma pesquisa feita pelo Graduate Management Council (GMAC), que aplica o GMAT, com 252 escolas de negócios, mostra que dois terços delas receberam mais inscrições ("applications") este ano do que em 2006.

Chad Troutwine, CEO da Veritas, uma das maiores empresas de preparação para o GMAT do mundo, presente em 70 cidades, em 16 países, disse ao Valor que este ano o número de alunos subiu 62% em relação a 2006. Sua empresa também presta serviços de consultoria para os candidatos até o momento da admissão. "Esta área registrou um aumento de 110% em relação ao ano passado", comemora o CEO. A Veritas está sediada em Malibu, na California. Criada em 2001 por dois ex-estudante do MBA de Yale, hoje a companhia emprega 300 professores de GMAT e 71 consultores pelo mundo. E, cerca de 40% dos clientes são estrangeiros.
A procura pela orientação especializada na hora de começar a procura um MBA está tão intensa que alguns preparadores estão tendo até que recusar clientes. A Megaron, que atende executivos brasileiros há seis anos, desde o fim de agosto não aceita novos alunos. "Já aumentamos em 20% o nosso atendimento e não temos estrutura para atender em 'massa', isso porque o sucesso do nosso trabalho é consequência de um serviço personalizado", diz Carlos Megaron, que divide o comando da empresa com Mirian Kanashiro, outra veterana do setor.