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| Você S/A - edição 82 - abril 2005 |
Largue na FrenteQuer cursar um MBA de primeira linha? Contrate um consultor de admissão: custa um bom dinheiro, mas vale a penaPor José Eduardo CostaConsultor de admissão. Esse é o nome que se dá aos profissionais
especializados em fazer seus clientes conquistarem uma vaga nos MBAs
de escolas do nível de Harvard, Wharton, MIT e Columbia, nos Estados
Unidos, e London Business School e Insead, na Europa. Por um trabalho
que inclui, entre outras coisas, orientações para fazer o histórico acadêmico
e profissional e um minucioso levantamento do perfil psicológico do candidato,
um consultor de admissão americano chega a cobrar 200 dólares por hora.
No Brasil, os honorários desses profissionais variam de 100 a 400 reais
por hora. Não é barato, principalmente se você considerar que, geralmente,
a consultoria dura de quatro a oito meses. No final, um pacote desses
pode chegar ao valor de um carro popular. Isso sem considerar os cerca
de 200 dólares que as escolas cobram pela inscrição (e, geralmente, os
candidatos se inscrevem em mais de uma) e os gastos com o curso e a estadia,
que acrescentam aproximadamente 150 000 dólares a essa conta. Mesmo assim,
tem muita gente que afirma que vale a pena contratar um consultor de
admissão. "É um investimento com retorno garantido", diz o paulistano
Guilherme Lima, que há dois anos voltou para o Brasil com um diploma
de Harvard na mala (veja o quadro Padrão Harvard). Quem, como Guilherme,
recorre a esses especialistas acredita no prestígio que eles têm junto
aos examinadores de universidades americanas e européias. "Muitas vezes,
somos sondados sobre um ou outro candidato", diz Paulo César Porto, consultor
da Philadelphia Consulting, de São Paulo, que, em dez anos de atividades,
já treinou 800 candidatos. Desses, segundo ele, 600 conseguiram vaga
em uma universidade de ponta. Guilherme, que contratou os serviços de
Paulo, chegou a ele por indicação de um amigo. Aliás, essa é a melhor
maneira de encontrar um bom consultor de admissão. Como outros profissionais,
eles também fazem fama na base da propaganda boca a boca. PADRÃO HARVARD - Há quatro anos, o administrador de empresas paulistano Guilherme Lima, de 30 anos, decidiu interromper uma carreira em ascensão na McKinsey, consultoria com escritório em São Paulo. Sonhava com uma vaga no MBA da Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Para aumentar suas chances de aprovação, Guilherme procurou o consultor Paulo César Porto, da Philadelphia Consulting, em São Paulo. A consultoria durou oito meses e, durante esse período, Guilherme se lembra do trabalho que teve para escrever o texto sobre sua carreira e vida pessoal, uma das etapas do processo de inscrição. "Eu era paranóico em mostrar minhas conquistas profissionais e o Paulo sempre devolvia meus textos dizendo que não era nada daquilo", diz. Foi numa dessas tentativas que, por sugestão de Paulo, Guilherme resolveu explorar um outro lado seu: o de maratonista. A corrida, que entrou em sua vida na idade adulta, o ajudou a deixar para trás a asma e o excesso de peso que sempre o faziam chegar em último lugar nas brincadeiras da infância. Apesar de simples, essa história demonstra capacidade de superação, qualidade que Harvard aprecia em seus alunos. "O Paulo me ajudou a pensar fora da carreira", diz Guilherme. Isso e um currículo acadêmico e profissional consistentes ajudaram a garantir sua vaga na conceituada universidade americana. Já faz dois anos que ele voltou de lá diretamente para a McKinsey. Só que, hoje, a situação é bem diferente: Guilherme está a um passo de se tornar sócio da consultoria. ALMAS GEMEAS - A faculdade em que foi feita a graduação, atividades extraprofissionais e até os livros lidos -- a idéia é fazer uma varredura em todos os aspectos da vida do executivo-cliente. Para ajudar nessa tarefa, Patrícia Cas Monteiro, consultora paulistana que há 20 anos auxilia aspirantes a MBAs de primeira linha, tem uma psicóloga na equipe. "O grande segredo do processo está em personificar ao máximo o candidato", diz. A investigação é tão minuciosa que os consultores de admissão costumam dizer que escolher a escola é um verdadeiro processo de soul match (algo como encontrar a alma gêmea). Afinal, um MBA pode levar de cinco a dez anos para fazer "efeito" na carreira e, no final das contas, a opção correta é que vai determinar a satisfação com o programa. Há gente que procura um consultor de admissão com a expectativa de se tornar o candidato perfeito. Isso não existe -- até porque as escolas costumam checar as informações que constam no material dos finalistas. Wharton tem um grupo de profissionais contratados especialmente para fazer isso. "O trabalho do consultor é apenas orientar o profissional e não apresentá-lo como alguém que ele não é", diz Patrícia. Cada caso é um caso, mas, em linhas gerais, este é o teor da conversa que ela e outros consultores costumam ter com seus clientes: * Descubra qual é seu perfil "Para quem é sensível, valoriza os relacionamentos e gosta de trabalhar em equipe, estudar em Harvard, Wharton ou Columbia pode ser uma experiência desagradável", afirma Patrícia (veja o quadro Escolha seu Alvo). * Veja se o seu objetivo tem a ver com a missão da escola Assim como as empresas, muitas universidades também têm uma missão, uma declaração por escrito do que pretendem oferecer a seus clientes (geralmente, essa informação está no site). Alinhar seus interesses pessoais e profissionais a esses valores é fundamental. * Faça o mapeamento de sua carreira Enumerar tudo o que você fez na vida acadêmica e profissional vai ajudá-lo a perceber o padrão utilizado na hora de fazer escolhas. Candidatos com um histórico de muitas realizações em um espaço curto de tempo costumam ter boas chances em Columbia e Wharton. Já aqueles que priorizaram a diversidade de experiências podem se dar bem em Kellogg. * Valorize sua vida como um todo "Na escola de negócios da Universidade de Chicago o envolvimento dos candidatos em atividades extraprofissionais sempre conta pontos", diz Patrícia. Mas cuidado! É preciso ter um bom critério para citar o que realmente fará seu currículo chamar a atenção do examinador. * Mostre sua bagagem cultural O conhecimento acumulado com leituras, viagens (dentro ou fora do país), exposições e pessoas também ajuda a causar uma boa impressão no examinador. |
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